
O empresário deixou na Cyrela um bom time de executivos, seu banco de terrenos e vários projetos em andamento. E levou uma certeza: não é o melhor momento para manter apostas no ramo imobiliário.
Por isso, seu foco agora é o setor de infraestrutura. "Nosso negócio é construir. Mas só vamos atuar no mercado imobiliário em projetos diferenciados, de alto luxo. Deixo os projetos commodities para as grandes construtoras", afirma Andrade Jr.
Sem contrato de exclusividade que o obrigasse a cumprir um período de quarentena, Andrade Jr. voltou a investir no crescimento dos negócios da empresa fundada por seu pai no final da década de 1970. "Mesmo com a sociedade com a Cyrela no mercado imobiliário, a Andrade Mendonça nunca deixou de atuar independentemente." Em 2006, quando foi assinado o contrato com a Cyrela, a construtora tinha um volume de projetos de R$ 300 milhões.
Hoje é mais de R$ 1 bilhão. Trata-se de projetos como o estádio Castelão (Fortaleza) e o Centro de Eventos do Ceará - que para o empresário fará o Anhembi, em São Paulo, parecer um "galpão de eventos". A Andrade Mendonça também negocia a construção das fábricas da JAC Motors, O Boticário e Kimberly-Clark na Bahia. Os negócios devem ampliar a receita da construtora em 20% neste ano sobre os R$ 250 milhões de 2011.
"Estamos fechando um primeiro ciclo de investimentos e esse segmento vai passar por uma acomodação", afirma Andrade Jr. Para o empresário, após a abertura de capital e a enxurrada de recursos do mercado financeiro, as empresas fizeram o que se esperava delas, como comprar terrenos e conseguiram financiamento para a construção.
"Até aqui, tudo é virtual. Agora é a vez de entregar. Mas o dinheiro só vem mesmo quando o cliente conseguir o financiamento", conta. Ele ressalta que, como o dinheiro esta demorando para chegar, muitas empresas tem tido problemas. É o caso da Cyrela, que comprou a participação de vários sócios, considerados responsáveis pelos resultados ruins e atrasos em projetos.
"Não acredito que isto seja uma coisa dita pelo Elie Horn (fundador da Cyrela). Ele é um homem sério, correto e inteligente. Sabe que se uma empresa tem 80% do negócio e seu sócio 20%, não adianta culpar o outro pelo atraso", ressalta. De qualquer maneira, Andrade Jr. torce para que, agora que eles estão separados, o problema tenha acabado.
Minha Casa, Minha Vida só me fez perder dinheiro
A Andrade Mendonça está construindo 1,5 mil casas para o programa do governo federal "Minha Casa, Minha Vida". E segundo Antônio Andrade Jr., a empresa só está perdendo dinheiro com isso. "O governo se recusa atualizar os preços, que foram negociados há dois anos e meio, época em que as condições eram outras", afirma. "Não é à toa que temos tantos projetos sendo paralisados", alerta.
Segundo Andrade Jr., só na Bahia, a construção de 20 mil casas do programa está parada."No Brasil, já passa de 100 mil". Apesar disso, o empresário garante que sua construtora vai honrar com os contratos. "Mas sinceramente, fico com a sensação de que não deveríamos", lamenta.
Para ele, a estratégia do governo é resolver pontualmente os casos de empresas que tiverem problemas. O BRASIL ECONÔMICO procurou o Ministério das Cidades, responsável pelo programa, mas até o fechamento dessa edição, não teve resposta.
Andrade Jr. afirma que as dificuldades atingem também o mercado de imóveis voltados para a classe C. "Depois de todo o boom, temos uma acomodação. A inadimplência está aumentando e com ela, muitas empresas passam dificuldades", diz. O empresário explica que no Nordeste, a situação é mais difícil. "Se o custo do metro quadrado sai de R$ 6 mil para R$ 8 mil em São Paulo, ainda há público comprador. No Nordeste, não".
Fonte: Bahia Noticias
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