Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC) este ano e corresponde a quatro
vezes a verba reservada para o programa Brasil sem Miséria, prioridade
da presidente Dilma Rousseff. Ainda assim, a alta carga tributária foi a
queixa mais comum entre os 28 pesos pesados da economia que estiveram
com Dilma na quinta-feira.
As desonerações não
foram adotadas como uma estratégia ou política de governo, mas foram
reações aos efeitos da crise global que deprime a economia
mundial desde meados de 2008 e afetou gravemente a competitividade da
indústria brasileira. Porém, o avanço dos importados e a tendência de
desindustrialização parecem imunes à atuação do governo.
O
ministro da Fazenda, Guido Mantega, completa seis anos no cargo na
terça-feira. Em suas primeiras entrevistas, ele já falava em desonerar a
folha salarial das empresas,
medida que foi novamente prometida esta semana, durante a reunião com a
presidente Dilma. Também apontava o câmbio como um problema central,
mas o dólar barato continua sendo a maior dor de cabeça do setor
produtivo.
"O governo pode ter desonerado bastante, mas a carga tributária não caiu. Ao contrário, aumentou", diz o economista Mansueto Almeida. "O custo de produção continua alto e maluco."
Hiperatividade
Para
Armando Castellar, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da
Fundação Getúlio Vargas, atuações pontuais como as feitas pelo governo
têm efeito localizado e temporário. "O problema maior é a hiperatividade
de medidas do governo", criticou. "O País precisa de um programa de
médio e longo prazos que ataque os problemas estruturais de
competitividade, como infraestrutura e carga tributária."
Em sua
defesa, o governo argumenta que a situação estaria muito pior se o
ministro não tivesse agido. É certo também que medidas adotadas pelo
governo quase nada podem fazer para combater os efeitos da desaceleração
da economia global e a avalanche dos industrializados asiáticos.
Porém,
a própria Dilma está insatisfeita com o elenco de iniciativas adotadas
até agora. Ela incumbiu Mantega de elaborar um novo pacote para anunciar
na volta de sua viagem à Índia, nos dias 28 a 31 deste mês.
A
área técnica da Fazenda recebeu a seguinte encomenda da presidente:
medidas mais ousadas. Em vez de pontuais, elas precisarão ser gerais e
mais profundas. A desoneração da folha, por exemplo, poderá ser geral
para a indústria, e não localizada em meia dúzia de setores.
As informações são do jornal o Estado de S.Paulo.
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