Em
mais um capítulo da briga entre a Odebrecht e a Gradin, mais uma
assembleia é convocada. Desta vez, a Graal - família Gradin, que detém
20% das ações do grupo terá que participar de mais uma sessão marcada
pela Obdinv - família Odebrecth - que tem o propósito de destituir
diretores e conselheiros.
A
Graal já protestou e disse que deveria ter sido ouvida, mas não foi. E
mais uma vez a Odebrecth disse que pretende contestar a participação, o
voto e as manifestações da própria Graal na assembleia, que se diz
vítima de toda a situação.

Mas,
para que se entenda o que fato acontece entre as duas famílias, devemos
recordar o tempo do “milagre econômico brasileiro”, quando a Odebrecht
não passava de uma empreiteira de ambições regionais, limitada aos
horizontes da Bahia, a parceria entre as famílias Odebrecht e Gradin
resistiu e até se solidificou na virada do século, quando o grupo baiano
se viu vergastado por uma séria crise de liquidez que quase o levou à
bancarrota. Isso foi iniciado na primeira metade dos anos 1970, ao tempo
do chamado
Apontado
como um dos cérebros da recuperação, diversificação e
internacionalização do conglomerado formado por 12 empresas, que atuam
em setores que vão da construção pesada, passam pela petroquímica e
chegam à exploração de petróleo, Victor Gradin, 78 anos, não apenas se
tornou o homem de confiança do nonagenário Norberto Odebrecht, fundador
do grupo, como se transformou no segundo acionista individual da
Odebrecht, com uma participação de 20,6% do seu capital.
No
entanto, essa aliança bem-sucedida, que vinha sendo cimentada com o
passar dos anos, se viu abalada com a chegada das novas gerações das
duas famílias a posições de comando nos negócios. Justamente quando a
Odebrecht vive seu melhor momento, com operações em mais de 20 países e
um faturamento que supera os R$ 40 bilhões, os antigos aliados estão em
pé de guerra, protagonizando uma novela que promete se estender por
algum tempo.
Quem
tomou a iniciativa de tornar público o conflito entre os dois clãs, que
vinha sendo administrado com razoável discrição durante a maior parte
do ano passado, foram os Gradin, incomodados com a decisão unilateral de
Marcelo Odebrecht, presidente e neto do fundador do grupo, de exercer o
direito de adquirir seu pacote de ações.
Amparada,
à primeira vista, no acordo de acionistas da Odebrecht, essa
iniciativa foi rechaçada pelos Gradin, capitaneados por Bernardo, filho
de Victor, e que até novembro de 2010 ocupou a presidência da Braskem, a
principal empresa da Odebrecht, justamente em decorrência dos
desentendimentos com Marcelo. Pelo mesmo motivo, Miguel, irmão mais novo
de Bernardo, deixou a presidência da Odebrecht Óleo e Gás, no mesmo
mês.
O
caminho escolhido pelos Gradin foi a via judicial. No dia 8 de
dezembro, por intermédio de sua holding, a Graal Participações, deram
entrada com um pedido de arbitragem do conflito na 10a Vara Cível de
Salvador. Queriam discutir não apenas a questão da venda compulsória das
ações como a avaliação feita pelo banco Credit Suisse First Boston, que
estabeleceu em US$ l,5 bilhão o quinhão transferido por Victor a
Bernardo, Miguel e à filha, Ana Maria.
Embora
nos bastidores os dois lados proclamem sua intenção de resolver as
divergências pelo diálogo, é mais do que provável que a novela tenha
ainda muitos desdobramentos. Afinal, está em jogo o destino de um dos
maiores grupos empresariais de capital nacional, que em apenas uma
década multiplicou 45 vezes seu valor de mercado, passando dos US$ 157
milhões, em 1999, para os US$ 7,4 bilhões avaliados em 2009.
Por
um lado, os Odebrecht se sentem no direito de assumir o controle total
do grupo fundado pelo pioneiro Norberto, ao mesmo tempo que incentiva
seus executivos com pacotes generosos de ações. Os Gradin, por seu
turno, asseguram que não têm a mínima intenção de deixar a Odebrecht,
sobretudo num período de prosperidade. Com informações da coluna de Levi
Vasconcelos e Istoé Dinheiro.
Fonte: Bocão News
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