
Se os 41 vereadores de Salvador saírem às ruas para ouvir a
população antes de decidir se votarão a favor ou contra o parecer do
Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), que reprovou a gestão do prefeito João Henrique (PP) em 2010, o placar do painel do Plenário Cosme de Farias marcará 40 a 0 no dia da votação – o
presidente da Casa não vota. O Bahia Notícias foi às ruas da capital
baiana, nesta sexta-feira (21), para ouvir a opinião da população sobre o
polêmico processo que poderá decidir o futuro do atual gestor nos
próximos oito anos – se 28 vereadores não reprovarem o relatório do TCM,
que pede a rejeição das contas, ele pode ficar inelegível durante o
período citado. A reportagem percorreu diversos locais de concentração
de pessoas na cidade e ouviu moradores de diversos bairros e faixas
etárias. Unanimemente, os entrevistados, aqueles que conhecem e os que
desconhecem a ação, defenderam punição ao gestor. “Se o Tribunal [TCM]
apontou irregularidades nas contas do prefeito, ele deve ser punido.
Mas, independentemente disso, ele já deveria ter sido punido há muito
tempo pela administração que faz”, criticou o técnico em manutenção
hospitalar, Nilson Souza, de 20 anos, morador de Plataforma, no Subúrbio
Ferroviário. Já o taxista Frednaldo Machado, 43, morador da Boca do
Rio, foi mais duro: “Isso é a pior vergonha que existe. Seria bom se ele
nunca mais se elegesse para nada, nem para síndico de prédio. Político
como João Henrique não era para nunca mais se candidatar a nada”,
disparou. Alguns consultados confessaram não estarem antenados ao
assunto. Apesar disso, a estudante de Direito, Carla Alverez, 26,
moradora do Itaigara, o "castigo" é válido. “Eu confesso que não sabia
que ele ficaria inelegível por tanto tempo, caso as contas sejam
reprovadas na Câmara. Mas eu acho ótimo se isso acontecer. Um prefeito
que por duas vezes foi considerado um dos piores do Brasil, não deve se
eleger mais a nada”, sentenciou. O autônomo José Humberto Pereira Gomes,
de 53 anos, morador de Cajazeiras, cobrou mais. “É uma punição válida.
Mas, devendo a Deus e ao mundo, a punição deveria ir além disso. O
prefeito deveria ser obrigado a devolver todo o dinheiro que deixou de
ser gasto. E tem mais: aqueles vereadores que votarem a favor não
deveriam mais se reeleger”, opinou. Alertado que a votação será secreta e
que a população não saberá qual será o voto dos seus representantes,
Gomes foi mais radical. “Então, se caso o parecer for rejeitado, os 41
vereadores devem cair fora”, cutucou. Ainda não há data para que a
votação ocorra em plenário, mas, para que a matéria fure a fila de 800
projetos, será necessário um acordo entre as lideranças da Casa.
Fonte: Bahia Noticias
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