sexta-feira, 23 de março de 2012

População peregrina por atendimento

No segundo dia de paralisação das clínicas e unidades de saúde particulares que prestam serviço ao Sistema Único de Saúde (SUS), a situação não apresentou mudança. Apesar da colocação de faixas e cartazes anunciando que os atendimentos estão suspensos, a população ainda formou fila na entrada das clínicas, com esperança de solução. A falta de pagamento dos salários, referentes aos meses de janeiro e fevereiro, é a motivação do protesto.

Até ontem não havia acordo entre a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e a Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado da Bahia (Ahseb), portanto, os atendimentos continuam interrompidos por tempo indeterminado.
De acordo com o vice-presidente da Ahseb, Ricardo Costa, apesar de 20 mil pessoas estarem sem atendimento por dia, ainda não há previsão de quando os prestadores do SUS retomam as atividades.

“Não houve acordo entre nós e a prefeitura e as negociações  continuam paradas. Entramos com pedido de liminar na 4ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça da Bahia, pedindo o pagamento imediato do repasse, mas a juíza disse que antes de qualquer decisão precisa ouvir a prefeitura”, explicou.
 
Diante do impasse, o soteropolitano continua a peregrinação em busca de clínicas com portas abertas. Na manhã de ontem, cerca de 40 pessoas formaram fila em frente a Clinog da Rua Padre Feijó, Canela.

“Quando cheguei para trabalhar a fila já estava enorme. Tivemos muito trabalho para explicar que não seriam atendidas e que não havia data prevista para normalizar a situação. Muita gente reclamou e alguns até se negaram a voltar para casa, mas não temos outro jeito a dar”, disse o porteiro, Clebson de Jesus, 30 anos.
 
Muitos pacientes vieram de outros municípios e não conseguiram realizar exames. “Tenho problemas sérios nas vistas e preciso dos exames para continuar a medicação. Vim de Santo Antônio de Jesus para ser consultada e ninguém me atendeu. É uma vergonha”, disparou uma aposentada. A dona de casa, Antônia Helena, 48, compareceu a clínica em busca de resultados dos exames, mas nem isso está sendo entregue.

“Fiz uma mamografia e uma ultrassonografia mamária. O resultado já estava pronto desde a semana passada, mas não pude vir buscar. Se soubesse que iria acontecer isso tinha dado um jeito”, lamentou. 
 
Dívida é de R$ 10 milhões
 
O mesmo cenário foi encontrado na Clivale da Calçada, onde a sala reservada para pacientes do SUS estava vazia. Uma recepcionista do local disse que muitos pacientes chegaram em busca de atendimento, mas tiveram que retornar para casa. O diretor da Clínica não autorizou a Tribuna a fazer fotos do interior do local.
 
Além de exames de imagens, quem precisa de acompanhamentos médicos, ortopédicos e cirurgias também estão prejudicados.

Segundo dados do Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviço de Saúde do Estado da Bahia (Sindhosba), 193 unidades de saúde estão paralisadas, o que representa a suspensão de atendimento a cerca de 300 mil pacientes por mês. A decisão de suspender os atendimentos foi tomada na última terça-feira durante assembleia realizada na Ahseb.

A dívida da SMS com as clínicas soma um valor de R$ 10 milhões, referentes aos salários dos funcionários.  A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que o corpo técnico jurídico da Procuradoria está reunido com o objetivo de encontrar uma solução legal para equacionar a dívida.
 
De acordo com a assessoria da SMS, o secretário da pasta, Gilberto José, ainda não se pronunciou sobre o assunto. Conforme defendem o Sindhosba e a Ahseb, as atividades só serão retomadas após o pagamento dos salários atrasados. 
 
Fonte: Tribuna da Bahia

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