Quem tem medo do lixo?

A reportagem do Bocão News
decidiu procurar os principais pré-candidatos à prefeitura de Salvador
para saber o que pensam sobre o formato e valores da concessão para
limpeza e coleta de lixo da cidade. A iniciativa foi motivada após a
Secretaria Municipal de Serviços Públicos (Sesp) confirmar a realização
de um novo edital que deve ser lançado em pouco tempo. Os detalhes da
licitação são mantidos em sigilo. “Como gestor, não posso dar
informações privilegiadas a ninguém”, observou o titular da pasta,
Marcelo Abreu. Mas, com base nos preços atuais, a reportagem conseguiu
antecipar que o processo envolve cifras bilionárias. O Bocão News
levou a seguinte questão aos prefeituráveis ACM Neto (DEM), Imbassahy
(PSDB), Nelson Pelegrino (PT), Mário Kertész (PMDB), Alice Portugal
(PCdoB), Marcos Medrado (PDT), Edvaldo Brito (PTB) e Márcio Marinho
(PRB):
“O contrato de concessão do lixo de Salvador está vencido. Hoje, ele
é orçado em R$ 23 milhões por mês. A administração municipal prepara um
novo edital que deve ter duração de 20 anos com potencial para render a
empresa ou consórcio vencedor cerca de R$ 5 bilhões no período. Se
couber ao novo prefeito (a) analisar o processo licitatório, o senhor
(a) pretende rever algum item, como, por exemplo, reduzir o valor global
e prazo de duração? Esteja à vontade para apresentar suas
justificativas e propostas para a área”.

O
deputado federal Antonio Imbassahy foi o primeiro a se manifestar. Logo
de cara, ele classificou como insensata a possibilidade de lançar um
edital desta magnitude no final do mandato do atual prefeito. Em
seguida, criticou os valores envolvidos. “Acho absolutamente impróprio
pensar numa licitação como essa no final de uma gestão. Afinal, pelo que
se tem notícia, se trata de um dos maiores processos licitatórios já
realizados na história da Bahia. Me arrisco a dizer que as
características apresentadas nos conduzem à suspeição”. Para o tucano, o
modelo de contrato precisa ser modificado. “A limpeza urbana tem que
ser tratada com seriedade e com respeito aos princípios que norteiam a
correta aplicação de recursos públicos. Esse tema, sem dúvida, terá
destaque em nosso plano de governo”.

Ao
tomar conhecimento do assunto, Mário Kertész ficou tão indignado que
fez comentário na rádio Metrópole e publicou nota em seu blog. "Apesar
do mandato do prefeito já estar próximo do fim, ele ainda tem tempo para
estragar ainda mais a cidade... Ou seja, o prefeito faz uma
concorrência, escolhe as empresas no apagar das luzes, e quer deixar
como legado que aceitemos a decisão tomada por ele nos próximos 20
anos??? Está achando pouco?? Uma decisão de um gestor incompetente e
irresponsável". Clique aqui e ouça!
João Leão, ex-chefe da Casa Civil da prefeitura, se apressou em dizer
que o assunto não tem nenhuma ligação com a pasta que ocupou. Mesmo
assim, saiu em defesa da administração João Henrique e responsabilizou o
Ministério Público (MP-BA) pela urgência empregada na ação. “Não
podemos esquecer que se trata de uma concessão. Por isso, a duração de
20 anos. É o mesmo que o governo do estado está fazendo com o metrô. E
como o contrato já está vencido, o MP-BA exige que a licitação seja
feita com brevidade. Quanto ao preço, eu e nem ninguém pode falar se
está caro ou barato, já que não estamos envolvidos e não temos
referencial. Mas, claro, que qualquer gestor que for eleito poderá fazer
audiência e rever o contrato se verificar algo ilegal”.

O deputado federal ACM Neto (DEM) se recusou a tratar do assunto sob o argumento de que ainda não pode falar como pré-candidato.
Alice Portugal (PcdoB) cutucou a atual gestão, mas também evitou o tema.
“Preciso conhecer os pormenores do edital. Seria leviano analisar
qualquer documento sem conhecer os detalhes do texto. Entretanto, tudo
precisa ser revisto por aqui. Afinal, vivemos numa terra completamente
arrasada”.
Os prefeituráveis Pelegrino, Edvaldo Brito, Márcio Marinho e Marcos
Medrado não se manifestaram, apesar da insistência da reportagem que
manteve contato desde a semana passada.
Fonte: Bocão News
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