terça-feira, 3 de abril de 2012

ACM Neto ameaça apoiar Mário Kertész

 



O impasse em torno da união das oposições na capital baiana ganha novos contornos e pode surpreender. Ao tomar consciência de que o tucano Antonio Imbassahy resiste em apoiar sua pré-candidatura mesmo em meio a toda pressão do DEM, que ameaça não apoiar José Serra em São Paulo caso não obtenha apoio em Salvador, o deputado federal ACM Neto, antecipou, segundo o blog de Josias de Souza, que, caso não obtenha sucesso na tão desejada aliança com o PSDB, apoiará o radialista Mário Kertész (PMDB). Uma reunião entre a cúpula estadual e nacional dos dois partidos está marcada para o próximo dia 13.

Os peemedebistas da Bahia, sem dúvida, estão em êxtase com a possibilidade de apoio. Nunca tinham pensado em ouvir música tão bonita enquanto discutiram todo esse tempo a possibilidade de unidade das oposições ao PT na campanha à Prefeitura de Salvador.

Contudo, vale ressaltar que o PMDB, embora não imponha sua opção como a melhor, em nível nacional também está taxativo. Informações dão conta de que a sigla já teria, inclusive, batido o martelo nas principais capitais brasileiras, incluindo Salvador, e o nome de Kertész já teria sido sacramentado. Aliado a isso, é importante destacar que enquanto a negociação entre tucanos e democratas não vai a termo, Imbassahy e os irmãos Vieira Lima (Geddel e Lúcio), patronos da candidatura de Kertész, foram ficando cada vez mais íntimos.

A ponto de o PMDB insinuar apoio ao candidato do PSDB, no período em que a aliança dos peemedebistas com o governo Dilma Rousseff ameaçou trincar em Brasília. Agora, que tudo parece voltando aos conformes no governo Dilma com os peemedebistas, o partido na Bahia retoma a tese de que não pode apoiar um candidato de legenda oposicionista, a exemplo do PSDB e do DEM, mas permanece no maior amor com Imbassahy.

Num claro recado, Geddel afirmou ontem, em seu twitter, que Imbassahy (PSDB) pode ser o “ponto de encontro” das oposições na eleição de Salvador. “O deputado Antonio Imbassahy tem se comportado como alguém que realmente quer construir um projeto de unidade.

Pode ser ele o ponto de encontro de todos”, declarou. A bem da verdade, segundo seus parceiros de oposição, ACM Neto parece ter contribuído em muito com a situação de isolamento em que parece ter mergulhado. Enquanto todos buscavam em Salvador gastar lábia em torno da unidade, ele tentou, também segundo informações de seus parceiros de oposição na Bahia, usando seu charme de líder oposicionista no Congresso, atropelar a turma com contatos diretos com as cúpulas do PSDB e do PMDB em Brasília e São Paulo.

ACM Neto baseava-se no fato, muito importante, diga-se, de estar, entre todos os players, inclusive o do PT, liderando com folga as pesquisas. Mas o comportamento só fez o nível de resistência a ele próprio se potencializar no grupo. Geddel ficou irritadíssimo com um encontro seu com o presidente nacional do PMDB, Michel Temer, em busca de apoio. O ânimo de Imbassahy não parece ter ficado muito diferente.

Daí que, ao invés de puxar para o seu lado Imbassahy, com posição inferior a ele nas pesquisas, favorecido pelas relações históricas entre DEM e PSDB, ACM Neto o deixou escapar para o lado dos peemedebistas. Assim é que, se não há impedimento agora para que o democrata apoie Kertész, influenciado pelo posicionamento de Imbassahy, há muito menos resistência para que o tucano faça o mesmo, ainda que o peemedebista esteja em posição muito inferior aos dois nas pesquisas.
 
Fonte: Tribuna da Bahia

Nenhum comentário:

Postar um comentário