quinta-feira, 5 de abril de 2012

Ela não tem culpa de comer quietinha

Ela não tem culpa de comer quietinha Foto: Divulgação

Com aprovação recorde de 77%, presidenta mineira supera obstáculos apontados por seus adversários em 2010; mas desafios não lhe faltarão até o fim do mandato

Brasília, capital federal, segundo mandato de Lula à frente da presidência do Brasil. Sentada à cabeceira da mesa, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, repassava orientações aos ministros de governo, bem ao seu estilo pragmático. Foi quando uma secretária adentrou o salão com uma bandeja cheia de copos de água e café. Qual foi a surpresa dos dirigentes ao ouvir a rispidez com que a ministra tratou a serviçal por servir-lhe o café da maneira errada, ao passar o braço em frente ao seu rosto sem pedir a devida licença. A grosseria foi tamanha, que a secretária saiu da sala chorando.
Era justamente a falta de carisma, aliada a esse estilo nada gentil, que os críticos da candidatura de Dilma Rousseff à presidência do Brasil, em 2010, apontavam como seu ponto fraco. Tachada de “poste” e de “sombra” do então presidente Lula, a ex-ministra era tida como muito pouco expressiva para ganhar as eleições, e seus adversários diziam que ela tinha como principal arma a popularidade do seu cabo eleitoral.
Cada nova pesquisa de avaliação pessoal mostra, porém, que os adversários de Dilma estavam errados. Após assumir a presidência, a chefe de Estado foi, aos poucos, adotando estilo próprio e acumulando esforços para fazer um governo com a sua cara. Menos tolerante à corrupção, mas também menos hábil politicamente em comparação com seu antecessor, a presidente tem enfrentado dificuldades ali e acolá, mas aos poucos vai se encontrando e batendo novos recordes de aprovação, remetendo ao estereótipo do mineiro, que sempre “come quietinho”, apesar do “sangue político” gaúcho.
Terminado o primeiro trimestre do seu segundo ano de governo, a presidenta vê números mais favoráveis a cada nova pesquisa divulgada. Em estudo encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) do Ibope divulgada nesta quarta (4), sua popularidade aumentou cinco pontos percentuais, passando de 72%, em dezembro de 2011, para 77%, em março de 2012. O percentual de pessoas que confiam na mandatária subiu de 68% para 72% no mesmo período. Já a parcela da população que considera o governo ótimo ou bom manteve-se estável em 56%. A pesquisa da CNI/Ibope ouviu 2002 pessoas em 142 municípios entre os dias 16 a 19 de março. A margem de erro é 2 pontos percentuais.
Desafios
Apesar dos bons ventos que sopram para a favor de Dilma, a pesquisa do Ibope também mostra que áreas essenciais, como saúde e segurança pública, não foram tão bem  avaliadas. Superaram os 60% os índices de desaprovação dos impostos (65%), saúde (63%) e segurança pública (61%). 
Conseguir efetivar melhorias nessas áreas é principal desafio de Dilma. Tudo isso passa, necessariamente, pelos campos político e econômico, a começar pela melhoria das relações com os partidos da base aliada, o combate à corrupção e a aprovação da prometida reforma tributária – hoje limitada ao efeito de decretos e medidas provisórias. 
No Congresso Nacional, a presidenta aposta no novo líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), para marcar uma nova fase na relação do Executivo com os partidos aliados baseada na eficiência. Para combater a corrupção, Dilma tem apostado na escolha de executivos de perfil mais técnico que político, o que causa revolta de alguns partidos, como o próprio PMDB e o PR, que abandonou o governo no Senado e permanece em posição indefinida na Câmara dos Deputados. Quanto à reforma tributaria, algumas palhinhas já foram movidas, mas a chefe de Estado continua apostando em pacotes de urgência, como o divulgado esta semana para o setor industrial.
Dar novo gás à indústria nacional, prejudicada com a concorrência de produtos estrangeiros no mercado, e, por fim, fazer o país voltar a crescer depois de um fraco resultado em 2011 é também um dos principais desafios para os próximos anos. Para tanto, será preciso investir pesadamente em infraestrutura, construir estradas de ferro e ampliar os portos, para diminuir os custos de transporte e escoamento da produção nacional.
Além disso, Dilma carrega a cruz da sua principal promessa de campanha: a erradicação da miséria, meta não alcançada (mas também prometida) pelo seu antecessor, com o programa Fome Zero. Trata-se de uma tarefa nada fácil em um período de turbulências econômicas internacionais. Difícil, sobretudo, por precisar ser realizada simultaneamente a todos os outros desafios, de maneira que a economia se sustente e se renove. Afinal, erradicar a fome apenas com o Bolsa Família e outros programas sociais não será sustentável por muito tempo. Os próximos dois anos e oito meses de governo não serão fáceis. A popularidade alta está longe de ser um indicativo de que já chegou a hora de descansar.

Informações Site Bahia 247

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