De olho no R$ 1,1 bilhão previsto no Plano Nacional de Apoio ao Sistema
Prisional, os prefeitos deixaram de lado a resistência de receber
penitenciárias em suas cidades. Lançado há quatro meses pelo Ministério
da Justiça, o projeto tem como metas criar 42,5 mil vagas em
penitenciárias e cadeias públicas, zerar o déficit de unidades femininas
e reduzir a quantidade de presos provisórios em delegacias.
Levantamento
feito pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen) apresentado à
Casa Civil mostra que 77 contratos já estão em andamento para a
construção e reforma de unidades prisionais. Para criar 21 mil vagas, o
governo deve destinar R$ 544,8 milhões.
Outros 20 convênios foram
assinados com 15 Estados, totalizando mais R$ 270 milhões. A primeira
fase do plano vai criar 8,3 mil vagas em cadeias públicas. O Depen ainda
analisa 96 projetos para a construção de unidades prisionais.
Um
dos projetos mais caros é o da construção da Penitenciária Compacta
Dupla de Presidente Alves, a 382 quilômetros de São Paulo, que deve
custar R$ 57,9 milhões. Em Salvador, mais de R$ 20 milhões já foram
aprovados para a construção de uma unidade para presos provisórios da
região metropolitana.
Em Goiás, no entorno de Brasília, uma
unidade para jovens adultos será construída em Novo Gama. O custo da
obra é de R$ 20 milhões. Em Valparaíso de Goiás, o governo federal
liberou R$ 600 mil para a reforma do presídio. O Estado, aliás, foi o
que mais contratou projetos: são oito, totalizando R$ 46,2 milhões (R$
42,7 milhões já repassados). Ao todo, o programa vai criar 1.604 vagas
em Goiás.
Os municípios brasileiros historicamente brigavam para
não construir presídios em seu território. Temiam o aumento da
criminalidade e a avaliação negativa perante o eleitorado. Agora, no
entanto, defendem que as unidades contribuem na criação de empregos e no
aumento da renda.
"Não podemos ter preconceito com as cadeias.
Essa foi a forma que a nossa sociedade encontrou para punir quem cometeu
algum crime e precisa ficar fora do meio social por um tempo. Nosso
município não pode simplesmente ignorar esse fato", afirma a prefeita de
Valparaíso, Leda Borges (PSDB), que cobra mais recursos do governo
federal para a segurança pública.
"Os valores previstos
demonstram que o sistema prisional é uma preocupação deste governo", diz
o presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária
(CNPCP), Geder Luiz Rocha Gomes, que é promotor de Justiça.
"O
plano vai investir quase o mesmo destinado ao Fundo Penitenciário entre
1994 e 2007. Só que agora estamos trabalhando com planejamento
estratégico e com diretrizes para essas construções", explica Gomes. "As
unidades têm de atender a um determinado modelo de projeto e o Depen
está sendo bastante criterioso na seleção."
Segundo o promotor, o
pente-fino do Ministério da Justiça tem gerado críticas e reclamações
de secretários de Estados e prefeitos. "O problema é que os Estados
ainda dependem muito do governo federal e investem pouco nessa área.
Ficam só aguardando os recursos, com exceção de Estados como Minas
Gerais, São Paulo e Rio", destaca o presidente do CNPCP.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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