segunda-feira, 16 de abril de 2012

Torcidas organizadas ampliam poder sobre os clubes de futebol

As torcidas organizadas podem até ficar um pouco mais distantes dos estádios devido à recente decisão da Federação Paulista de Futebol (FPF) de proibir a entrada de Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde depois que dois palmeirenses morreram após confronto com corintianos na Avenida Inajar de Souza, na zona norte, mas isso não significa que elas se afastarão também dos clubes. Até porque líderes dessas facções já estão enraizados nos clubes, fazem parte da vida social das agremiações e só sairão por vontade própria, o que não parece o caso.
 
No chamado trio de ferro paulista (Corinthians, Palmeiras e São Paulo), o único clube onde a presença das organizadas não tem muito destaque é o Tricolor. Já no Parque São Jorge e no Palestra Itália teve até fundador de organizada que chegou à presidência. É o caso do corintiano Andrés Sanchez, que ajudou a criar a Pavilhão Nove e atualmente "bate cartão" na Gaviões.
 
Da atual diretoria do Alvinegro, o responsável pelo departamento financeiro é Raul Corrêa da Silva. Ele fundou a Gaviões da Fiel em 1969 (é sócio número 11) e também a Camisa 12 (sócio número 2).
 
O conselheiro da oposição Claudio Vila Maria, ex-Camisa 12, lançou um grupo chamado Corinthians Supremo (site em construção, sob o lema de A supremacia da Fiel Torcida), com presença maciça de torcedores organizados, para cobrar e agitar o clube.
 
Agora são quatro grupos. E todos vestem suas camisas: COS (Corinthianos Obsessivos), Corinthians Supremo, Só Corinthians e Fora Dualib, que disputam participação direta nos assuntos relacionados ao clube.
 
No Palmeiras, membros de torcidas organizadas ganham mais espaço a cada dia. O presidente Arnaldo Tirone, inclusive, apoia os torcedores e não vê motivos para distanciamento deles. Na opinião do dirigente, os torcedores brigões não têm respaldo do clube e, principalmente, entre os chefões das organizadas.
 
Para manter a política da boa vizinhança com as organizadas, Tirone até já entrou em contato com a Polícia Militar para pedir proteção especial.
 
Hoje existem centenas de membros da Mancha Alviverde que são sócios do Palmeiras e alguns deles até foram eleitos conselheiros pelos associados. Caso de Tarso Luiz Furtado Gouveia, que está no seu segundo mandato e é diretor adjunto do Departamento do Interior. O novo homem forte do marketing, Sergio Pelegrini, também tem fortes ligações com a organizada.
 
Elite - No São Paulo, a participação de integrantes das organizadas é pequena e a explicação está no valor cobrado por um título de sócio e pelas mensalidades do clube do Morumbi. Hoje, o título custa R$ 10 mil e a mensalidade individual é R$ 144 (R$ 228 o casal). No Corinthians, esses valores caem para R$ 800 e R$ 80, respectivamente. No Palmeiras, custam R$ 2.600 e R$ 70.
 
"O título é muito caro, não é acessível a todos. Gostaria até que mais pessoas fossem sócias do clube, mas com esses preços não dá", conta Danilo Zamboni, fundador da Torcida Independente e sócio do clube.
 
Ele diz que a política da Independente é não se meter na administração do clube, que, segundo ele, tem sido bem cuidada nos últimos anos. Mas ele admite que, nem que quisesse, conseguiria. Há poucos conselheiros ligados à organizada e eles não costumam trabalhar em prol da torcida. A diretoria não dá ingressos e o presidente Juvenal Juvêncio não tem contato com os integrantes.
 
Esta relação distante é percebida no CT da Barra Funda: "Nesta boa fase, gostaríamos de ir mais aos treinos, mas a diretoria não permite. Não há um contato próximo com os jogadores, porque os dirigentes temem que a gente faça cobranças."
 
Sobre a organização da torcida, Zamboni reforça os projetos sociais e ressalta que a Independente não tem se envolvido em manifestações violentas ultimamente.
 
"Não é fácil controlar a todos, sempre há a minoria que prejudica", conta. Segundo ele, entre 10 e 20 torcedores, em média, são expulsos por ano por se envolverem com atos de violência.
 
 Informações do Estadão.

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