Há cerca de um mês, mais de 235 mil pedestres estão sendo prejudicados pelo fechamento do Plano Inclinado Liberdade - Calçada, que passa por reparos. O problema se estende também a outros ascensores da cidade, como os Planos Inclinados do Pilar, Gonçalves (há quase um ano parado) e o Elevador Lacerda que, mensalmente, são responsáveis pela mobilidade de cerca de 1,2 milhão de pedestres que circulam pelos bairros do Centro da cidade.
Em substituição ao ascensor da Liberdade, a Superintendência de Trânsito e Transporte de Salvador (Transalvador) disponibilizou dois micro-ônibus e um ônibus para transportar os passageiros. No entanto, usuários reclamam do tempo de espera dos veículos.
Sob um forte sol, a aposentada Terezinha de Jesus, 66 anos, enfrenta uma longa fila para conseguir pegar o micro-ônibus, na Calçada, até a escola onde a neta estuda, na Liberdade. Diariamente, a aposentada gasta até uma 1h30 para fazer este percurso. Há cerca de um mês, esse trajeto resumia-se a, no máximo, 15 minutos.
Quando o ônibus demora, dona Terezinha se aventura a subir os incontáveis degraus da escadaria que liga os dois bairros. “Não tenho mais idade para subir tantas escadas. É sofrido também para as crianças, que vão apertadas no ônibus”, contou.
Abandono - Não é só a demora dos ônibus que prejudica os pedestres que necessitam do ascensor como transporte. Vizinhos do ascensor, que liga a Liberdade à Calçada, reclamam do abandono do local que, hoje, serve como abrigo para moradores de rua e usuários de drogas. O zelador Washington Carlos Almeida Silva, 28, conta que não há seguranças para tomar conta dos equipamentos. “O patrimônio público está sendo destruído. Agora, o plano só serve para reunir bandido e aumentar a insegurança do bairro. Fora a água da chuva que fica parada e vira foco de dengue”, afirmou.
Informações da assessoria de comunicação da Transalvador esclarecem que já estão sendo realizados reparos nos equipamentos antigos, que costumam apresentar defeitos com frequência. Além disso, foi detectado o roubo de fios e baterias, o que atrasou ainda mais o conserto. O órgão atribui a demora dos serviços ao fato de que as peças de reposição só são encontradas no eixo Rio – São Paulo. A previsão é de que o plano inclinado volte a operar na quinta-feira (17).
No Plano Inclinado do Pilar, que liga o Comércio ao Santo Antônio Além do Carmo, a situação é semelhante. Reformado em 2005, voltou a funcionar em 2006 e, ao final de 2010, teve os serviços interrompidos para consertos. Apesar de encontrar-se em melhores condições, os passageiros afirmam que o ascensor apresenta defeitos regularmente. “Duas ou três vezes por mês o plano para de funcionar”, afirmou a dona de casa Marcília Santana, 61.
Em situação ainda pior encontra-se o Plano Inclinado Gonçalves, entre o Comércio ao Centro Histórico. Fechado há mais de um ano, o local foi tomado por plantas e entulhos. A alternativa encontrada para os cerca de 196 passageiros transportados mensalmente pelo equipamento é utilizar o Elevador Lacerda, ascensor mais próximo. De acordo com o superintendente da Transalvador, Alberto Gordilho, as cabines do Elevador passam por constantes reparos, feitos uma a uma. “Adotamos essa medida para não interromper o fluxo e prejudicar a população”.
Fonte: Atarde

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