Nos últimos meses, diversos episódios de maus-tratos e abandono de animais domésticos têm ocorrido na capital baiana. Sem ações suficientes dos poderes públicos, as poucas entidades de proteção aos animais da cidade afirmam ter dificuldade financeira para castrar os bichos, encontrar abrigos e atender às dezenas de denúncias que chegam semanalmente.
Depois do caso do cão Lobo, recolhido pela ONG Terra Verde Viva após sofrer agressões da dona, no bairro de Pau da Lima, o caso mais recente envolvendo animais domésticos acontece em Stella Maris. Moradores da Rua Gilberto Freire denunciaram, ontem, o abandono de cerca de 30 cães e 50 gatos pela dona de uma residência do local, que passou oito dias ausente. Além do mau cheiro das fezes dos animais e do barulho feito por eles, os moradores temem riscos de doenças.
“A dona dos bichos simplesmente desapareceu. Me deu a chave para cuidar deles, mas não imaginei que fosse por tanto tempo. Eles estão mal cuidados. Esperamos que esses animais sejam adotados e castrados”, pediu Teresa Cristina Massa Cortês, vizinha da casa onde estão os bichos.
A TARDE conseguiu localizar a dona dos animais, a aposentada Mirian Jacobsen,
69 anos. Sobre a ausência, ela explicou que esteve doente e precisou ser internada. Ela revelou que não tem mais condições financeiras para cuidar dos cães e gatos, porém teme abandoná-los.
“Minha aposentadoria não é suficiente para castrá-los e dar alimentação decente”, informou. Segundo Mirian, o número de animais foi crescendo à medida que ela pegava-os nas ruas. “Muitas vezes, as pessoas abandonavam na porta de minha casa mesmo”, acrescentou.
População - Segundo estimativa das ONGs de proteção aos animais, Salvador tem uma população de cães e gatos abandonados estimada em cerca de 100 mil bichos. “A prefeitura não tem abrigo, não castra nem vacina em massa. Isso é omissão”, apontou a advogada Ana Rita Tavares, integrante da ONG Terra Verde Viva.
A Secretaria Municipal da Saúde confirmou que o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) não tem recolhido animais abandonados nem realizado vacinação em massa e que só recolhe animais quando representam riscos, como atacar pessoas ou atrapalhar a mobilidade urbana.
Para Ana Rita, uma clínica é insuficiente: “Precisaríamos de umas dez. O Estado é
quem mais faz, com três convênios de castração apenas”. Segundo ela, as ONGs passam por necessidades. “A Célula-Mãe está sem verba, prestes a perder o canil. Infelizmente não podemos pegar esses animais agora. A Terra Verde Viva gasta R$ 15 mil mensalmente. De doações ganha apenas R$ 700”, lamentou.
Fonte: Portal A tarde
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