terça-feira, 8 de maio de 2012

Efeito seca já influencia preços Da cesta básica

Os efeitos da seca, que está afetando drasticamente muitos municípios baianos, já começam a trazer as conseuências para o bolso do trabalhador. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, Dieese, a cesta básica de Salvador está mais cara: 2,84% em abril e isso é uma clara influência da falta de chuva em boa parte da região agroprodutora baiana.  

A cesta básica de abril custa agora R$ 217,92, contra os R$ 211,90 registrados em março. Ainda de acordo com a pesquisa do Dieese, mesmo com a alta, a cesta de Salvador ocupou a terceira posição dentre as capitais mais baratas pesquisadas.  Nos últimos 12 meses, o custo dos alimentos apresentou elevação de 7,15% na capital baiana.

Para a supervisora técnica do órgão na Bahia, Ana Georgina da Silva Dias, o feijão tem sido o mais afetado dentre os produtos da cesta básica, influenciando inclusive nos valores das cestas de outras capitais. “A Bahia é um dos grandes produtores de feijão deste país.  

Nos últimos 12 meses ele subiu quase 60% e somente neste ano a elevação de preços já chegou a 40%. Entra agora no mercado a safra produzida em zona irrigada, mesmo assim as oscilações são altas”, avisa.  Além do feijão, a carne bovina e o leite também estão mais caros por conta da morte do gado e da dificuldade de pastagens. “Há produtos que também sofrem influencia climática como o tomate, mas boa parte dele vem de fora do estado.
 
Custo de vida em Salvador : R$ 653,76
 
A pesquisa mostrou ainda que em Salvador, o custo da cesta básica para o sustento de uma família foi de R$ 653,76 durante o mês de abril. Esse valor equivale a aproximadamente 1,05 salário mínimo bruto. No mês de março, o custo da cesta básica para esta mesma família era de R$ 635,70 na capital baiana e equivalia a 1,02 salário mínimo. Outra informação diz respeito ao poder de compra do trabalhador soteropolitano.

A pesquisa do Dieese revelou que o trabalhador comprometeu 38,03% de seu rendimento líquido com a cesta básica, percentual maior que comprometido em março, que foi 37,03%.


“Ainda em função da redução do poder de compra, este mesmo trabalhador soteropolitano precisou trabalhar mais em abril para adquirir uma cesta básica. O tempo de trabalho necessário foi de 77 horas e 05 minutos, contra 74 horas e 57 minutos em fevereiro”, diz Ana Georgina.

A pesquisa do Dieese estimou, contudo, que o salário mínimo necessário deveria corresponder a R$ 2.329,35 em abril, valor que equivale a 3,74 vezes o salário mínimo vigente no mesmo mês de R$ 622,00. 
 
Oscilações - A pesquisa da cesta básica do Dieese mostrou algumas variações: O açúcar foi o produto que registrou a variação mais expressiva no mês, com elevação de 7,22%, seguido da carne bovina, em alta de 6,28%. O tomate, apesar da alta na capital baiana de 4,69%, houve uma redução na intensidade desta alta em relação ao mês anterior, quando este produto subiu mais de 35%. Já o arroz subiu 3,37% em Salvador.

Mesmo com março e abril sendo considerados meses de intensa colheita, o Dieese acredita, segundo a pesquisa, que neste ano os preços dos produtos da cesta básica devem se manter superiores ao ano passado. A pesquisa registrou que três produtos da cesta básica registraram redução de preço: além do óleo de soja, com queda de menos 0,66%, o café teve menos 4,30%, a banana menos 2,64%.
 
Fonte: Tribuna da Bahia

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