Cemitério da Quinta dos Lázaros abriga túmulos de personalidades, mas sofre com falta de estrutura
A capital baiana tem dez cemitérios municipais, todos centenários, administrados pela Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Prevenção à Violência (Sesp), onde são realizados cerca de 50 sepultamentos por dia, ao custo unitário de R$ 22,65 para adultos e a metade do valor para crianças.
Segundo o Coordenador de Serviços Diversos do órgão municipal, Braz Augusto Pires, os espaços totalizam 10.539 vagas para sepultamentos, distribuídos nos bairros de Brotas (2.288 vagas), Itapuã (934 vagas), Pirajá (818 vagas), Ilha de Maré (560 vagas), Bom Jesus (130 vagas), Paramana (65 vagas), Ponta de Nossa Senhora (45 vagas), Plataforma (3.050 vagas), Paripe (1.011 vagas), Periperi (1.638 vagas).
Esses três últimos são os que mais sepultam, segundo Braz, por serem os mais procurados pela população. Sob a administração do Estado, por meio da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), está o Cemitério Quintas dos Lázaros, com sepultamento gratuito. No local, também estão os Cemitérios da Irmandade Nossa Senhora da Conceição da Praia e da Associação Social Arquidiocesana (ASA), que cobram R$ 700 por cada inumação.
Os lugares, longe do ideal, são alvo de queixas da população quanto ao número reduzido de vagas para sepultamentos. Manolo Dominguez, coordenador do Cemitério de Quintas, disse que o espaço oferece 12.800 covas de chão, mas que a quantia não atende a procura. "Enterro oito aqui por dia com sacrifício. O Quintas é querido pela população. É central, é antigo", justificou.
Invasões - A falta de vagas também está ligada ao tamanho do cemitério. Dos 14 hectares (140 mil m2), o espaço de Quintas foi reduzido a 7 hectares (70 mil m2). “A área foi reduzida à metade por conta das construções e invasões. A população não respeitou a área do cemitério e hoje enfrentamos problemas de espaço. O índice de sepultamentos também aumentou nos últimos anos”, contou Dominguez. O mesmo aconteceu em todos os municipais, normalmente rodeados por comunidades.
Apesar da idade (foi fundado em 1785), o Cemitério de Quintas só começou a ser murado em 2010 - o que facilitou as apropriações indevidas das terras - e a obra ainda não terminou. No momento, a obra está parada por conta da construção da Via Expressa - que fará ligação da BR-324 ao Porto de Salvador. "Ainda faltam 400 metros de muro. Seria preciso mais uns seis meses para concluir", disse Dominguez.
A situação do cemitério não agrada a população. A dona de casa Bernadete Maria dos Anjos Barbosa, de 69 anos, que recentemente sepultou a nora, criticou a falta de estrutura do local. “O governo deveria cuidar mais das coisas. Aqui era para ser mais limpo. Aliás, não só aqui, mas em todos os outros [cemitérios]”, disse.
A mesma impressão tem a estudante do curso técnico em Radiologia, Rosana Costa dos Santos, 31 anos. “O nível dos cemitérios públicos é caótico. Ainda precisa melhorar muito. Quase não há funcionários, como querem que funcionem direito? A vigilância sanitária não está observando isso?”, questionou a jovem, durante velório.
Precariedade - Em Quintas, túmulos quebrados e mausoléus abandonados pelas famílias dão ao lugar uma aparência de descaso, embora o local abrigue túmulos de importantes personalidades como o político e Major Cosme de Farias, o revolucionário Carlos Mariguella e o bando do Cangaceiro Lampião.
“Muitas famílias já foram chamadas para reformar as sepulturas, mas a maioria nem volta aqui”, disse Dominguez, lembrando que os cuidados com o cemitério não dependem só do governo, mas também dos familiares. “Muitas famílias, depois que enterram o familiar, não voltam mais aqui”, disse.
No local, a retirada do capim é feita regularmente, segundo o coordenador, mas a fertilidade da terra exige o aumento da mão-de-obra. Atualmente, 15 funcionários trabalham na capinação, mas seriam necessários mais 5, diz Dominguez.
O Cemitério de Paripe, por exemplo, é um dos que a população mais se queixa, pela dificuldade de acesso. O ponto de ônibus mais próximo fica a pouco mais de 1 Km, já na zona rural da localidade. Outro problema é o lixo, já que a população joga resíduos no terreno onde só deveria haver covas. Os assaltos também são frequentes, segundo Braz. "Em Plataforma, o cemitério teve os banheiros invadidos. O vaso sanitário, a pia e a descarga foram saqueados", completa o coordenador da Sesp, Braz Augusto.
O Cemitério do Campo Santo, na Federação, administrado pela Santa Casa de Misericórdia, também sofre com a falta de vagas destinadas à população de baixa renda. “Está cada vez mais difícil atender a demanda da população. A prioridade é para as famílias residentes nos bairros da redondeza, mas a gente faz o que pode para atender a preferência”, conta Anselmo Menezes, administrador do espaço.
O lugar apresenta mausoléus que são verdadeiras obras de artes, além de abrigar o descanso de muitas famílias tradicionais da Bahia como Oscar Freire, Otávio Mangabeira, Raymundo Nina Rodrigues, Ernesto Simões Filho e Aristidez Maltez.
Solução - Diante do problema de vagas e espaço, o coordenador da Sesp, Braz Augusto Pires, acredita que a solução é a verticalização dos cemitérios, ou seja, construção de carneiros (gavetas), já que muitas pessoas ainda resistem à cremação. "Existe um projeto de verticalização pronto, mas ele deverá entrar no orçamento de 2012", contou.
Além disso, existe uma grande dificuldade de se encontrar terrenos que atendam às exigências legais para a criação de novos cemitérios na cidade. “Boa parte dos espaços que visitamos e que ainda têm área para construir possuem lençóis freáticos e isso impossibilita a construção dos cemitérios”, disse Braz.
Atualmente, há vagas nos cemitérios, mas nem sempre onde a população quer. “As vagas surgem dia a dia. Às vezes não temos como enterrar alguém próximo de onde morava e encaminhamos para algum outro”, acrescenta.
Para a falta de segurança dos cemitérios municipais, que não possuem vigilantes, Braz explica que há um projeto para que a Guarda Municipal passe a fazer a proteção do local. Segundo previsão da prefeitura, o plano seria colocado em prática até o final de abril. A segurança inibiria o vandalismo nos cemitérios, além de dar segurança aos bairros.
Fonte: Portal A tarde
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