terça-feira, 5 de junho de 2012

Tarifa de ônibus de Salvador torna-se a 5ª mais cara do país

Frota reduzida, estações decadentes, pontos de ônibus sem cobertura, veículos em más condições de uso e 50 anos sem licitação pública para exploração do serviço. Este é o cenário do sistema de transporte público de Salvador, que teve a tarifa reajustada para R$ 2,80, tornando-se a quinta mais cara do país.
O valor fica atrás apenas de São Paulo (R$ 3), Florianópolis (R$ 2,90), Porto Alegre (R$ 2,85) e Campo Grande (R$ 2,85) e já ultrapassa cidades como Rio de Janeiro (R$ 2,75), Belo Horizonte (R$ 2,75) e Curitiba (R$ 2,60), que contam com metrô e um sistema de bilhete único integrado.
Nesta segunda, 04,, a reportagem de A TARDE fez um dos percursos mais usados por quem precisa de transporte coletivo em Salvador –  o trajeto saindo da Estação Pirajá até a Estação da Lapa – e pôde comprovar o impacto das principais queixas da população.
A fila para o ônibus que vai até a Lapa chegou a sair dos limites da Estação Pirajá quando a reportagem embarcou. O horário não era de pico, no entanto, após 35 minutos de espera, o ônibus chegou e lotou rapidamente. A trilha sonora do trajeto foi comandada por um dos passageiros, que, desrespeitando a lei que proíbe a execução de som nos ônibus, compartilhava com companheiros de viagem um pagode romântico no mais alto volume.
Num espaço apertado, a estudante Ariane Pereira Ferreira, 16 anos, tentava se equilibrar  com o movimento do ônibus ao mesmo tempo que segurava os livros e a bolsa. A jovem, que chega a pegar quatro linhas por dia, conta que já se acostumou com o transtorno de viajar em pé. “Fico até espantada quando vejo o ônibus vazio”.
O tempo de espera é o que mais incomoda Marizete Lopes Souza, 46 anos, que faz o mesmo trajeto todos os dias para chegar ao emprego, no Centro da cidade. Ela diz que perde cerca de duas horas do dia aguardando o ônibus.  “Hoje (segunda) já esperei 40 minutos”, relatou. Além do tempo de espera, o operador de telemarketing Márcio Cerqueira, 26, reclama da sujeira. “Pego sempre ônibus sujo, com barata e mau cheiro”, diz.
Licitação - De acordo com a Secretaria Municipal de Transporte e Infraestrutura (Setin), uma equipe técnica desenvolve o projeto para que a licitação ocorra até o final deste ano. A partir da concessão pública, as empresas vencedoras terão que seguir um padrão nos serviços prestados à população, disponibilizando veículos novos e padronizados.
O secretário José Mattos prometeu, em coletiva à imprensa, no início deste ano, que só  haveria aumento de transporte caso a licitação fosse realizada. O aumento acabou ocorrendo antes da licitação. Até o fechamento desta matéria, o Setps (sindicato das empresas de  transporte) não respondeu aos contatos da reportagem.

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