
No dia 4 de abril, o empresário Ivson da Silva Lopes, a esposa dele e os dois filhos – um menino de 11 anos e a pequena Isabella, de 4, compraram ingressos para o Circo Tihany Spetacular, localizado na Avenida Paralela, em Salvador. Pagando R$ 100 por cada passaporte destinado à área vip, a família Lopes se preparava para assistir ao que é divulgado como sendo um grande espetáculo.

“Sentamos na fila 6, assentos 19-21-23 e 25 (Assentos Preferencial Frontal). Quando começou o espetáculo,minha filha Isabella ficou sentada no colo da minha esposa e, ao levantar-se para sentar em sua cadeira, ao lado, ao colocar os pés no chão, gritou : "- Ai mamãe, meu pé!" , disse Ivson.
Segundo o pai da criança, Isabella retornou ao colo da mãe reclamando que o pé doía muito e coçava o local intensamente. “Após cinco minutos ela pediu que tirássemos a sandália dela, pois o pé estava doendo muito. Continuamos assistindo ao espetáculo, mas, com o passar do tempo, Isabella ia ficando mais agitada, e começou a chorar incessantemente, quando resolvemos deixar o circo ao término da 1ª parte da apresentação”, contou.
Ivson disse que a menina não conseguia andar e saiu carregada do Tihany. “ Neste momento percebemos o seu pé bastante inchado e visualizamos uma picada, quando resolvemos levá-la rapidamente à emergência do Hospital Aliança, dando entrada às 23h,onde foram feitos vários exames clínicos e laboratoriais. Assim, constatou-se alterações em seu sangue e visualmente uma picada no pé com hematoma de coloração roxa,quando foi diagnosticado em conjunto com o CIAVE ( Hospital Roberto Santos), que se tratava de acidente ofídico do tipo botrópico ( Cobra)”.
O empresário disse que prestou queixa no dia 9 de abril na 10ª Delegacia e que já entrou com uma ação contra o circo por danos morais e materiais junto ao Ministério Público e na Justiça comum.

Em contato com a Sucom – responsável pela liberação do uso do solo no município, não tivemos retorno da assessoria. Ao órgão, pedimos esclarecimentos sobre quais critérios são avaliados para se liberar um espaço, diante dos riscos que o ambiente possa apresentar.
Já em contato com a Companhia de Polícia Ambiental da Bahia, o subcoordenador da Companhia de Polícia de Proteção Ambiental, capitão Moiséis Tadeu, fomos informados que, de fato, a área é um habitat de animais silvestres. “As construções na Avenida Paralela alteraram a biodiversidade. Com isso, os animais dão um jeito de se readaptarem e se deslocam para outros locais”, afirmou o capitão. Segundo ele, que ficou impressionado com o caso, o órgão não realiza vistorias e trabalha a partir de chamados e denúncias, deslocando equipes até o local. “Não fomos chamados pelo Tihany e nunca realizamos nenhuma ação nesta região. Nunca fomos acionados para irmos até aquele local”, disse.
A preocupação que se estende é com a população que frenquenta aquela área – sempre ponto de circos, parques e feiras de fogos que vêm à capital. Diante de um risco eminente ofuscado pela diversão vendida, por pouco, uma fatalidade não foi consumada.
Fonte: Bocão News
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